Benzinho é um emocionante retrato da família brasileira

Benzinho, dirigido por Gustavo Pizzi, é um filme verdadeiro e sensível. O longa foi o segundo exibido dentro da Mostra Competitiva do 46º Festival do Cinema de Gramado e contou com a presença do querido elenco na noite desse sábado no Palácio dos Festivais. A história foi escrita pelo diretor e pela atriz Karine Telles, que interpreta Irene, mãe de quatro filhos e é pega de surpresa quando Fernando (Konstantinos Sarris), seu pupilo mais velho, aceita o convite para jogar handebol na Alemanha. Ao contrário do marido Klaus (Otávio Müller), que se empolga com esta oportunidade única, Irene sofre com o fato de que em poucos dias, seu filho está indo embora. Contudo, ela tenta aproveitar o máximo estes últimos dias com a família completa em casa.

• “Benzinho” destaca protagonismo feminino dentro do lar

Não é difícil encontrar semelhanças com esta grande família. Além da rotina corrida entre trancos e barrancos, o filme registra com muita naturalidade a união entre todos os envolvidos. É a brincadeira entre quem decide que cama ficar, a chegada do primo que vira um irmão, a tia Sônia (Adriana Estevez) que é acolhida após sofrer violência doméstica pelo marido (César Troncoso), a discussão por detalhes mínimos de não ajudar dentro de casa e entre outros elementos que compõem uma história tão sensível de assistir. Inclusive, a casa representa tanto o momento de mudança que os personagens vivem quanto a identidade do grupo. Com remendos, improvisações, coisas quebradas, a residência também se torna mais um personagem devido ao apego que Irene tem pelas lembranças e conquistas ali dentro.

Em Benzinho, Karine Telles demonstra uma realidade tão forte que arrepia em diversas cenas. A personagem Irene é um pouco de cada mãe que existe no Brasil. A que desenvolve diversas funções dentro do lar, mas que não deixa de ser mulher. Principalmente sonhadora. Quando ela finalmente conclui o ensino médio, ela comemora este momento radiante, feito uma adolescente no dia mais importante da sua vida. Aí ela brinca com a vaidade e se diverte ao lado de Sônia, papel de Adriana Estevez. Esta que marca presença como coadjuvante, mas que não passa despercebida. A atriz equilibra a fragilidade e força de uma mulher que entende que não está sozinha e por isso também se joga no momento de mudanças da história.

O diretor Gustavo Pizzi cumpre um trabalho bonito, humano e formidável ao contar a história de uma família verdadeiramente brasileira. Inclusive, os pequenos gêmeos que participam do filme são filhos da Karine Telles, assim como sobrinho da atriz que também participa do elenco. Então esta união familiar da ficção e realidade contribuiu para que este filme seja o próprio retrato do nosso lar.

Nota: ★★★★

• Filme assistido na 46ª edição do Festival de Cinema de Gramado 
• Texto escrito originalmente para o site do Correio do Povo

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