A Mulher Rei: a ação épica que o cinema urgentemente precisava

Viola Davis é a poderosa Nanisca, general do exército de Daomé

Desde Mad Max: Estrada da Fúria (2015) eu não ficava tão empolgada com um filme de ação como fiquei com A Mulher Rei, a ação épica estrelada pela sempre poderosa Viola Davis. Baseado em fatos que aconteceram entre 1600 e 1800, no Reino do Daomé, atual Benim, na África Ocidental, e que foi um dos locais africanos mais poderosos naquela época, o filme acompanha a história de Nanisca (Viola), uma general que comanda um exército composto unicamente por mulheres, conhecidas como Agojie, que viveram para servir, defender e proteger o Reino do Daomé e o Rei Ghezo (John Boyega), com habilidades e força diferentes de tudo já visto.

Após perder algumas guerreiras em uma batalha, Nanisca dá início ao treinamento de uma nova geração de recrutas e as prepara para a batalha contra um inimigo determinado a destruir o modo de vida do seu povo. Em meio a isso, ela conhece Nawi (Thuso Mbedu), uma jovem rebelde que é enviada para se tornar uma Agojie após recusar a se casar com todos os homens escolhidos pelo seu pai.

Nanisca ao lado do Rei Ghezo, interpretado por John Boyega

Dirigido por Gina Prince-Bythewood, A Mulher Rei é um espetáculo como há tempos não era visto nos cinemas e boa parte da sua energia se deve ao propósito dessa trama que une ação e melodrama, em que há um orgulho em se tornar uma Agojie, pois há o reconhecimento do esforço obtido para chegar até a tal honraria, assim como o respeito por quem é de fora. E é neste ponto que o filme se engrandece por mostrar a valorização da significância dessas mulheres que possuíam os seus próprios costumes e regras dentro do Reino, apesar da cultura local ser extremamente machista, elas eram temidas ao mesmo tempo admiradas pela sua força, determinação e lealdade pela comunidade. Isso tudo é devidamente vivido à flor da pele pelas personagens que lutam, apanham, levantam e começam tudo de novo, animando e inspirando quem assiste a tamanha realidade das cenas.

Mas a trama de A Mulher Rei não é tão simples como a de defender a região de Daomé dos inimigos do Império Oyo. O roteiro escrito por Dana Stevens retrata o período da história do Daomé de quando era economicamente dependente da sua participação no comércio transatlântico de escravos e o filme aborda exatamente a época em que o Rei Ghezo finalmente ouve aqueles dentro de seu Reino que eram contra o comércio de escravos e a favor de explorarem um caminho alternativo para a prosperidade. E Nanisca era uma dessas defensoras de um novo meio de se fazer negócios na região. Afinal, mesmo não sendo de Daomé, eles ainda estavam vendendo pessoas negras para comerciantes brancos. 

As Agojie são as guerreiras que protegem e defendem Daomé

Nenhuma outra atriz poderia assumir o posto da general Nanisca como Viola Davis. A atriz exala a autoridade, a firmeza e a inspiração que se espera de uma heroína que busca o melhor para o próximo. Nanisca mantém o foco em suas missões, sejam elas políticas ou nos campos de batalhas, servindo de exemplo às suas seguidoras que se inspiram nela e sonham também chegar neste nível de liderança. Mas tendo Viola em ação, a emoção não fica de lado quando os desdobramentos revelam as origens dessa guerreira que sofreu demais no passado e que agora volta a se permitir à vulnerabilidade. É até redundante dizer isso, mas Viola é, mais uma vez, fascinante em todas as cenas e não seria exagero torcer pela sua presença na próxima temporada de premiações.

A Mulher Rei tem algo que dificilmente se enxerga em filmes de ação da atualidade, que é a realidade dos seus combates, da ambientação natural dos seus cenários, sem depender de efeitos especiais exagerados e do contexto social e pessoal da história. É impressionante sentir o que está em cena vivo, próximo do público e isso é um mérito grandioso escolhido pela diretora que, de certa forma, deu um frescor ao gênero já muito batido em Hollywood. Ela traz à tona uma parte da história africana para compartilhar com o mundo, exalta o poder da negritude feminina e o empoderamento construído ao lado de outras mulheres e, sobretudo, entrega um filme poderoso, assertivo e empolgante. A Mulher Rei é uma produção representativa importante para o cinema que nem tão cedo será combatido. Eu tenho pena de quem tentar superar essa batalha. 

A Mulher Rei estreia no dia 22 de setembro nos cinemas. 

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