Gramado: 10 Segundos Para Vencer honra trajetória do boxeador Eder Jofre

Daniel de Oliveira em 10 Segundos Para Vencer. | Foto: Divulgação

O 46º Festival de Cinema de Gramado exibiu, na noite dessa quinta-feira, mais uma cinebiografia dentro da Mostra Competitiva de longas brasileiros. 10 Segundos Para Vencer resgata a trajetória de Eder Jofre (Daniel de Oliveira), boxeador de origem pobre que se tornou bicampeão mundial no esporte nos anos 1960 e 1970. Dirigido por José Alvarenga Júnior, o filme tem a mesma função de contar a história de uma personalidade que não está tão fresca na memória do público. Principalmente entre os mais jovens.

O longa tem a missão de apresentar quem foi um dos primeiros ídolos brasileiros no esporte. Eder Jofre teve uma vida que relembra muito ao de Rocky Balboa, interpretado em uma consagrada franquia por Sylvester Stallone. Desde criança, ele enxerga no boxe a chance de melhorar a vida financeira da família. Após presenciar a decadência da carreira do tio Zumbanão (Ricardo Gelli), ele cresce focado em não decepcionar a família. Especialmente o irmão Doga (Ravel Andrade), que vê Eder como um ídolo inspirador. Mesmo com o sonho de aprimorar o seu talento em desenho em uma faculdade, ele segue depositando toda a sua energia no esporte. Assim como Rocky, ele manteve a humildade mesmo depois do sucesso e soube valorizar as suas conquistas.

O diretor José Alvarenga Júnior soube aprofundar a personalidade de Eder em episódios da sua vida que são suficientes para entender a sua jornada esportiva. As cenas funcionam no tempo necessário para que o público possa se envolver e costurar a narrativa com os acontecimentos que se desenrolam naturalmente. Sem apelar para o melodrama, o filme consegue conquistar por causa da batalha desta pequena família através do esporte. A presença do pequeno Eder desperta aqueles sentimentos ingênuos da criança sonhadora que projeta um futuro diferente do seu presente.

Daniel de Oliveira interpreta Eder como se fosse fácil levar tanta porrada. E não foram poucas. O ator consegue alinhar o cara bruto nos ringues ao marido sensível sem que haja contraste de personalidades. Oliveira carrega, literalmente, o filme nas costas e em parceria com Osmar Prado, excepcional como o pai rígido e amoroso.

No Brasil não é tão recorrente cinebiografias de esportistas serem levadas às telas. 10 Segundos Para Vencer serve como este diferencial mostrando que nem toda história precisa de recompensas milionárias ou quedas trágicas para dar lição de moral, mas que o verdadeiro campeão é aquele que consegue vencer em tempos difíceis.

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