Amy

Direção: Asif Kapadia | Elenco: Amy Winehouse, Blake Fielder, Mitch Winehouse, Tony Bennett | Gênero: Documentário | Nacionalidade: Estados Unidos

Recentemente, documentários sobre personalidades que já partiram, tomaram conta dos cinemas. Cássia Eller, Kurt Cobain são alguns dos exemplos (assistidos) para citar. Amy Winehouse morreu em 2011 e em menos de 4 anos, já ganhou um filme biográfico pra chamar de seu. Dirigido por Asif Kapadia (que também contou a história de Ayrton Senna), Amy aborda a vida e arte da cantora problema de forma emocionante e por que não, arrepiante.

O documentário entra em um aniversário, ouvimos Amy Jade Winehouse, uma adolescente de cabelos longos e negros cantar Parabéns pra você e logo, todos na sala ficam mudos e boquiabertos com aquela voz que seria a sua marca. Tanto que é com esta voz que vamos ouvindo até os créditos finais, sem necessariamente assistir a sua performance em certas ocasiões, basta sentir tudo que ela canta. E está tudo nas suas músicas, a sua história, sentimentos e desabafos pessoais. Ela mesma disse que não conseguia cantar se não fosse algo que viveu, pois não saberia contar a história.

Amy era uma garota divertida, tímida, mas que se soltava facilmente entre amigos. Não se intimidava com a câmera da família, mas quando chega para falar com a imprensa, é impaciente e sem interesse em dar entrevistas. Como uma futura jornalista, é desconfortável conversar com alguém que constantemente “bufa”, suspira, entre as falas. Eu entendo, mas também culpo os repórteres por matérias tão superficiais. Mas o que importava era a música de Amy. Ou melhor, o jazz de Amy. Ela mesma dizia que não gostava de pop, não se identificava com a sua geração e que não era uma cantora qualquer, era uma cantora de jazz que tinha ídolos como Tony Bennett, com quem realizou o sonho de cantar junto. Ela era alguém que não queria ser famosa. Não queria cantar para um milhão de pessoas. Não gostava de flashes constantes na sua cara e nem da pressão que sofria para se promover. Amy só queria viver de jazz. Hoje tudo faz sentido. Seu cansaço, a sua dor, a sua relação com o pai, o seu relacionamento (oportunista da parte de Blake Fielder-Civil) e até o seu vício nas drogas.

Um grande mérito do filme é colocar os contextos das músicas antes de tocá-las e ainda com as letras na tela, para deixar bem marcado o que aconteceu. Estas cenas são as mais lindas e foram as quais me deixaram arrepiadas e com olhos lacrimejando. Stronger Than MeWhat Is It About Men?Some Unholy War, In My BedRehab e entre outras músicas são perfeitas e apresentadas na hora certa, bem no estilo musical que eu e tantos outros gostaríamos de retratar as nossas vidas. As minhas preferidas e que achei, sinceramente, geniais na sua construção foram Back To Black e We’re Still Friends. A primeira por representar tão bem o término de Amy e Black. Ouvimos a canção a capela, depois a melodia chega e aí vem o “luto”, sombrio assim como o momento em que viveu. Back To Black é uma das minhas músicas preferidas da vida e assistir a sua produção é gratificante. We’re Still Friends toca e montagens stop motion rolam, enquanto ela sai de um local, sozinha e nada mais é explicado. Apenas a música. Aí, Blake abre a porta e alcança Amy para irem embora. O casal destrutivo estava junto novamente. A reconstrução desta e de boa parte da sua vida é feita com fotos e vídeos caseiros tanto da sua família quanto da equipe com quem trabalhava. As entrevistas são todas em off em cima de imagens daqueles que contam o que estava acontecendo na época. Por um momento até parece que foi tudo friamente calculado, mas não. Isto se chama muita competência técnica e artística néãm? Os áudios dos amigos também revelam a saudade e a tristeza de não terem tido condições de ajudar Amy, que não hesitava em reclamar da falta que as drogas faziam em seus momentos sóbrios. Principalmente quando venceu o Grammy.

Infelizmente ainda não conferi Senna, outro documentário de Asif Kapadia, mas Amy é mais um exemplo de como uma história deve ser contada. Tanto por aspectos técnicos (como a montagem, efeitos, trilha sonora) quanto por conteúdo. Retomamos desde sua infância e a separação dos pais, que é algo que machuca e deixa feridas (principalmente pelos seus motivos), passamos por sua adolescência e início de carreira, onde ainda era uma garota gordinha que vira, drasticamente, aquela mulher esquelética que não larga o copo em cima do palco. Kapadia deixou Amy extremamente humana perante nós, os fãs que assistimos a sua queda e que assim como os que estavam perto dela, não podiam ajudá-la. O documentário não poderia ter passado indiferente as fotos degradantes da cantora. Não mostrar isto seria abafar uma parte da sua vida, que não era sua culpa ser tão exposta assim. A imprensa obcecada por esta figura tão polêmica não poderia perder um segundo sequer da suas falhas e talvez, fosse a maior inimiga da cabeça de Amy, que não gostava e não aguentava mais a perseguição. É sufocante os flashes que disparavam. Você não vai conseguir identificar se era dia ou noite tamanha as luzes disparando. O diretor não esconde isto e nem outros dramas que aconteciam e eram cantadas na voz mais apaixonante que já existiu.

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