A Força está com Elas!

Todo final de ano terá uma força especial acendendo dentro do coração dos fãs da saga Star Wars. Desde de O Despertar da Força, cada lançamento tem animado os apaixonados pelas aventuras de Mestre Yoda e companhia. E para as meninas que também adoram todo o enredo possuem um motivo a mais para amar estes últimos filmes lançados já que desta vez, quem comanda a história é a jovem Rey (Daisy Ridley). Ela foi a responsável por trazer de volta a força, não só para as telas, mas principalmente para a representatividade feminina em produções do gênero da ficção-cientifica. Com novos capítulos da franquia sendo lançados anualmente nos cinemas, como ocorre nesta quinta-feira com Os Últimos Jedi, a hora é perfeita para continuar com o pé na frente na história da indústria cinematográfica. Se lá nos 1970, especificamente em 1977, quando Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança foi lançado, o diretor George Lucas trouxe Princesa Leia (Carrie Fisher) totalmente fora dos estereótipos de princesa, com voz de comando e tomando a frente da luta contra o Império.

A personagem, com grandes méritos para a atriz, construiu o seu legado neste tempo inteiro no imaginário e principalmente no coração das fãs que enxergaram na Princesa Leia, um modelo de que as mulheres podem fazer parte destas aventuras galácticas. Afinal de contas, existem muitas meninas que adoram este universo geek e nada mais justo apresentar um exemplo tão sério quanto os demais personagens masculinos em cena. Além de mostrar que não era preciso apelar para os clichês da sensualidade e colocá-la na posição indefesa de mocinha à espera do herói.

O mais empolgante em todas os filmes de Star Wars é que Princesa Leia sempre foi posicionada no mesmo patamar de importância que os homens. Mesmo que não seja protagonista da história, ela é tão importante quanto Luke Skywalker (Mark Hamill) e Han Solo (Harrison Ford). Ela é uma princesa que não usa vestidos. Ela é uma princesa que trabalhou ao lado de seus súditos e lutou contra Darth Vader junto dos companheiros. Ela não tem pose de madame e tampouco gosta de ficar esperando para agir. E o principal de tudo, ela não tinha medo, pois ela era uma rebelde. De princesa chegou ao posto de General da Resistência e de lá nunca mais saiu. Ninguém tem mais força que a Princesa Leia.

Em 1999, com Episódio I: Ameaça Fantasma, foi a vez de Natalie Portman ser a nova líder feminina como a Rainha Padmé Amidala. Apesar de ser considerada uma trilogia mais fraca em comparação com a primeira, a saga não deixou de dar importância a uma personagem feminina. Padmé é completamente diferente de Princesa Leia, mas igualmente marcante para história. Afinal, ela é a fonte de esperança para o futuro da sua nação com seus filhos. Inicialmente com aparência inocente, a personagem vira completamente o jogo quando revela a sua estratégia com a participação da sua sósia, Sabé. E aqui está outro ponto interessante na saga que foi colocá-la em um cargo político e altamente diplomático.

Ao contrário da Princesa Leia, Padmé é mais teórica do que prática quando tem que lutar pelo seu povo. Rainha de Naboo e depois Senadora do Senado Galáctico, sempre se manteve em altos cargos para lutar pelo que acreditava ser o certo. Mas infelizmente, o seu envolvimento com Anakin Skywalker (Hayden Christensen) a partir do Episódio II: Ataque dos Clones e Episódio III: A Vingança dos Sith, ofuscou os seus interesses políticos e prejudicou o seu desenvolvimento na história. Já que o diretor George Lucas errou no tom e a submeteu como apenas ao interesse romântico do protagonista e priorizou esta história como se fosse o único objetivo de Padmé dar a luz à Luke e Leia. Mas apesar do desequilíbrio, a Rainha Padmé também carrega uma força inspiradora.

Após o sucesso do retorno da saga Star Wars aos cinemas com O Despertar da Força, os produtores não pensaram duas vezes ao trazer Jyn Erso (Felicity Jones) como a protagonista de uma nova aventura no Império Galáctico em Rogue One: Uma História de Star Wars (2016). Ela é a líder de um time especial reunido pela Aliança Rebelde e se torna o elemento crucial na obtenção de informações sobre uma nova arma secreta do Imperador Palpatine e seu braço direito, Darth Vader. Nascida fora da realeza, Jyn, desta vez, é a representação da voz do povo que está em busca de sobrevivência. O que chama atenção de Mon Mothma (Genevieve O’Reilly) que a recebe e lhe propõe a missão especial de descobrir a arma que está sendo construída secretamente pelo Império e como ela deve ser destruída.

Com questões traumáticas por trás da sua motivação para participar desta nova batalha, Jyn entrega a força feminina lutando nos combates contra o Império, mostrando que é fácil dar este espaço para que mulheres também possam agir como heroínas. É interessante também a tamanha complexidade que a protagonista possui na sua personalidade. Se por um lado, Jyn é resistente em se unir ao grupo para destruir a Estrela da Morte, por outro, é surpreendente como existe uma preocupação com a sua história para montar todo o quebra-cabeças dentro da trama. Desta vez, Star Wars acertou em não subestimar a força de Jyn nesta missão.

Por fim, Rey foi a verdadeira responsável por alimentar a força das mulheres em filmes de ação e aventura. E por se tratar de uma série clássica e poderosa como Star Wars, certamente esta conquista abre caminhos para o futuro do gênero no cinema. A personagem encabeça esta nova trilogia que tem mostrado diversidade no elenco e maior empoderamento à estas pessoas consideradas secundárias no passado. A presença de Rey, e também de outras mulheres como a Capitã Phasma (Gwendoline Christie) – a stormtrooper feminina da Primeira Ordem porque também existem mulheres no Lado Negro da Força – trouxe maior identificação do público feminino ao universo Star Wars. As personagens como Rey e a própria General Leia permitem para as fãs se imaginarem nestes papéis e não mais se fantasiando como os personagens masculinos da série, que claro, não há nenhum problema nesta escolha, mas abre mais espaço para a inserção das jovens ao universo.

Em O Despertar da Força vimos que Rey é uma jovem independente, forte e decidida em várias questões, tanto que a sua alma aventureira soube exatamente como agir em diversas situações. Assim como conhecemos seu lado acolhedor e sensível, mas em nenhum momento frágil a ponto de ser seu ponto fraco. E trazer a personagem da atriz Daisy Ridley ao protagonismo também importa no sentido de continuar apostando na força das mulheres em dar fôlego para a narrativa e instigando novos questionamentos dentro da própria saga. Afinal, será que existe a oportunidade dela ser uma Jedi? Um núcleo que era dominado e limitado apenas aos homens? Quem são seus pais? Ela vai se juntar ao Lado Negro da Força? Talvez algumas das respostas estejam em Os Últimos Jedi, mas a verdade é que todo time feminino da saga ensinou ao longo de todos estes anos é de que não pode existir conformismo nem mesmo na galáxia muito menos nos cinemas. O protagonismo feminino em Star Wars ganhou, timidamente, o seu espaço e só deve aumentar enquanto Princesa Leia, Rainha Padmé, Jyn e Rey continuarem inspirando com suas histórias de uma galáxia muito distante.

• Texto escrito originalmente para site Correio do Povo

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