A Última Festa se diverte com encerramento de ciclos e dramas juvenis

A adolescência é a fase do caos. É o período da nossa vida em que vivemos as primeiras experiências pessoais que envolvem responsabilidades, relacionamentos, decepções, conquistas e parcerias. E a conclusão do Ensino Médio parece, de certa forma, encerrar um ciclo significante para iniciar o próximo que, na maioria das vezes, ninguém faz ideia do que vai acontecer. Ou fazer. É assim a premissa de A Última Festa, longa escrito e dirigido por Matheus Souza, que acompanha a festa de formatura de um grupo de amigos que se prepara para a faculdade e para as próximas etapas de suas vidas. Abordando dilemas típicos do fim da adolescência por meio de histórias paralelas que se entrelaçam, A Última Festa é apenas a primeira noite do começo das vidas de Nina (Marina Moschen), Nathan (Christian Malheiros), Bianca (Thalita Meneghim) e Marina (Giulia Gayoso).

Nina namorou o Ensino Médio inteiro e, embora ainda ame o namorado, quer viver novas experiências. Nathan sente que não pertence a grupo nenhum. Bianca é super estudiosa, se dedicou ao vestibular o ano inteiro e estava ansiosa pela festa de formatura. E Marina é exageradamente sincera e namora um cara exageradamente fofo que a ensinou a ser mais leve.

Diretor dos filmes Apenas o Fim (2008) e Ana e Vitória (2018), Matheus Souza fez dos dilemas de relacionamentos juvenis a sua especialidade nos cinemas. Em A Última Festa, o cineasta aprimora as emoções que estão a milhão no coração do quarteto protagonista, mas que todos se direcionam para a pergunta mais importante: quem eu vou ser depois daqui? Todo mundo já passou por essa frustração de querer atender as expectativas alheias e decidir como será o futuro quando você mal começou a viver. Esse sentimento universal se atualiza também aos comportamentos desses jovens que querem tudo para ontem e, por conta disso, precisam lidar com os erros que são resultados dos famosos impulsos juvenis. E tá tudo bem. Todos precisamos ser dramáticos e intensos nesta etapa. 

Contudo, ainda há clichês que deixam o enredo preguiçoso como a urgência da perda da virgindade na festa de formatura, como não já tivéssemos assistido esse tema milhares de vezes, assim como a inserção de conflitos desnecessários como um triângulo amoroso que não acrescenta em nada na evolução de um dos personagens. Por mais que seja natural dramatizar qualquer coisinha, é preciso dar uma segurada para não deixar o enredo exaustivo de tanta informação. Quase como se fosse a timeline do Twitter. Mas ainda é preciso exaltar a sinceridade e a leveza que muitos assuntos são trazidos à tona como o consumo de álcool, tecnologias e a vida sexual ativa dos jovens. É importante normalizar essas pautas, pois sejamos sinceros, diversas coisas sempre aconteceram na adolescência, mas tudo levado para debaixo do tapete, fazendo que se tornassem um tabu ou uma culpa. Então, nada melhor do que tratar tudo como parte do ciclo da vida.

Destaque entre os dramas

O carismático quarteto protagonista faz bonito em cena, se jogando com tudo com o que tem direito na trama de seus personagens. Enquanto Nina decide terminar o relacionamento de anos para curtir a vida, Marina tenta perder a virgindade com o namorado. Na ambulância da festa, enquanto faz companhia para o namorado que bebeu demais, Bianca conhece um novo crush. E Nathan, ao participar de um desafio lançado pelo menino mais bonito da escola, acaba vivendo uma paixão improvável.

O destaque fica para Christian Malheiros que nunca aceita um simples papel na sua carreira. Como Nathan, ele precisa dosar o humor com os sentimentos frustrantes de pertencimento. Por mais que seja acolhido e nutra uma grande amizade com as meninas, ele, um menino negro e gay assumido, não possui um semelhante ao seu lado para dividir questões que somente um preto ou um gay entenderia. Tudo muda quando Leo (Victor Meyniel), outro jovem gay, aparece na sua vida lhe fazendo repensar o orgulho de ser quem é. Tendo assim a história mais interessante do filme.

A Última Festa se diverte com o encerramento de uma fase de um grupo de adolescentes que, assim como qualquer adulto, não sabem o que querem no resto dos seus dias. Mas eles vão tentar e, com certeza, vão errar muito até se encontrarem. 

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