A Morte Habita à Noite: o retrato bukoviskiano do cotidiano sombrio

Situado em Recife, e narrado como uma crônica, A Morte Habita à Noite transita entre o amor e a morte, além de ser marcado por uma grande melancolia urbana com personagens que habitam a marginalidade local. Após presenciar um suicídio, de sua janela, e ser abandonado pela esposa (Mariana Nunes) que ama, Raul (Roney Villela) vaga pela cidade em busca de amor embalado por uma solidão que marca sua própria identidade.

Durante uma noite conturbada, Raul conhece Cássia (Endi Vasconcelos), uma jovem desgarrada e cheia de vida que faz com que ele ressignifique o amor e a morte, numa busca por almas gêmeas em um mundo cheio de melancolia.

Dirigido por Eduardo Morotó, A Morte Habita à Noite é o longa-metragem de estreia do diretor, já conhecido pelos curtas premiados “Todos esses dias que somos estrangeiros” e “Eu nunca deveria ter voltado”. Segundo Morotó, o filme retrata o cotidiano sombrio da realidade de milhões de brasileiros que vivem na extrema pobreza.

“Suas personagens vivem no exílio da miséria e eu queria colocar o espectador dentro desses cenários em estado de ruínas. Além disso acredito que ele desperta um sentimento de reconhecimento e compaixão entre/perante essas figuras e também dialoga com a decadência de uma certa masculinidade e sua necessidade de transformação”, afirmou Morotó.

A Morte Habita à Noite carrega a essência dos contos do escritor Charles Bukowski (1920-1994). Ainda na faculdade de cinema, o diretor adaptou uma outra história do autor boêmio, A Mulher Mais Linda da Cidade, que se tornou o curta Quando Morremos à Noite (2011).

“O longa acabou sendo uma consequência dessa obra, na qual o meu maior interesse estava na dinâmica dramatúrgica do conto, repleto de jogo de cena entre duas personagens, diálogos e situações cortantes, o que atendia o meu desejo de aprofundar-me na direção de atores. Além de enxergar naquele universo uma dimensão humana de confissão, de sentimentos inatos entre personagens fora dos modos sociais mais convencionais e inseridos num mundo de escassez”, explicou.

A estreante Endi Vasconcelos apontou que sua personagem foi uma alegria e um desafio, para ela, como atriz: “ela é uma alma perdida que não se encaixa nesse mundo, por isso o encontro com Raul é bonito. Ela o faz ressignificar a morte e o amor.”

A atriz Rita Carelli, por sua vez, destaca o peso de sua personagem dentro do longa. “Coube à minha personagem, na fronteira entre a morte e a vida, revelar o poeta enrustido no personagem bukoviskiano que protagoniza esse filme”, contou.

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