Sintonia: a série amadurece e propõe novos desafios na 3ª temporada

Trio de amigos estão mais fortes do que nunca em Sintonia

Sintonia deveria servir de exemplo para a maioria das séries da atualidade. Concisa, em apenas seis episódios, por temporada, a produção criada e dirigida por Kondzilla consegue dar espaço para cada um dos seus três protagonistas – Doni (Jottapê), Nando (Christian Malheiros) e Rita (Bruna Mascarenhas) – para que eles possam se desenvolver em suas jornadas pessoais na “quebrada”. Na terceira temporada, que estreou recentemente na Netflix, Sintonia segue o fluxo da evolução de suas histórias, mantendo a essência dos jovens, mas trabalhando para que eles possam, cada vez mais, entenderem os seus objetivos de vida. É um dos pontos mais positivos da série, ela não fica parada no tempo e tampouco retoma o que ficou no passado. Pois a vida é assim: ela não para. Mas, claro, vai te desafiar. 

Após conquistar a fama, o luxo e a relevância na música, Doni vai encarar o seu maior desafio até então: a queda. Seja na vida pessoal ou na profissional, o jovem precisará encarar que nem sempre poderá sair por cima em todas e que, ainda bem, o mundo não gira ao seu redor. Ao se deparar e se envolver com pessoas mal intencionadas, o então deslumbrado com o sucesso, passará por um amadurecimento que nem ele próprio esperava, mas que será fundamental para o seu crescimento. Isso será de grande valor para o personagem que, finalmente, vai aprender a valorizar quem está do seu lado lealmente.

Doni vai precisar manter os pés no chão

Rita foi a minha personagem preferida nesta terceira temporada. Desde que abraçou, intensamente, a religião evangélica para a sua vida, a menina que estava sempre metida em confusão, agora entende, ainda mais, o seu propósito na Terra. Ao contrário do que se possa esperar, Rita está longe de se deixar enganar pela politicagem que acontece nos bastidores da fé. Mesmo que seu estilo tenha mudado, ela nunca baixou a cabeça para nada e manteve a sua busca pela justiça e pela igualdade. É, realmente, inspirador ver a jovem lutando pelo o que acha ser certo, sem esquecer de quem é e das suas origens. E será para isso que ela vai usar a sua força e a sua influência sobre os outros, entendendo que a fé move montanhas, especialmente, fora da Igreja. Bruna Mascarenhas leva muitos créditos pela sua atuação carismática e carregada de um entusiasmo contagiante. Difícil não se sentir inspirada pela personagem.

Rita usará a sua fé para novos desafios

Disparado, Nando é quem tem a trajetória mais complexa em Sintonia. Envolvido com o universo do tráfico de drogas e outros crimes, o jovem decide, de uma vez por todas, que é a hora de mudar de vida ou não viverá o bastante para ser o exemplo de paternidade que não teve na infância. Ao se tornar pai, pela segunda vez, agora de um menino, Nando começa a articular a sua saída do comando da quadrilha que não para de se expandir. No entanto, quem é que pode superá-lo? Ele precisará cuidar da reputação e do respeito que conquistou ao longo da sua jornada para tentar sair numa “boa”, apesar do que os outros lhe falam. Christian Malheiros mais uma vez supera as expectativas ao entregar uma dramaticidade contida de um personagem que parece não encontrar escapatórias e suplicar por uma saída que o leve para o que nunca teve: paz.

Repito, Sintonia é uma série sobre sonhos. É sobre jovens que cresceram não tendo nada e vão encontrando, aos poucos, tudo o que precisam. Afinal, na comunidade, na quebrada ou na periferia é sempre assim: todo dia é dia de ir à luta pelo o que acredita. Entretanto, tudo isso só vale a pena com os seus “camaradas” ao lado. 

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