Valentina: pequenas vitórias que importam

Guta Stresser e Thiessa Woinbackk mostram a linda união entre mãe e filha

Aproveitando o gancho do Dia Nacional da Visibilidade Trans, assisti à Valentina (2021), um drama juvenil que há tempos estava na minha listinha de filmes para ver. Dirigido por Cássio Pereira dos Santos, o filme conta a história de Valentina (Thiessa Woinbackk) que luta pelo recomeço em uma nova cidade e também pelo direito à sua identidade trans. Ao contrário de Alice Júnior (2019), que usa do bom humor para enfrentar o preconceito no interior do sul brasileiro, Valentina trata as questões da transfobia em tom de seriedade, mas sem deixar de aproveitar as breves alegrias da juventude.

O drama se desenvolve pelos empecilhos que Valetina precisa enfrentar para poder viver como qualquer adolescente. Por conta do pai ausente, a jovem não consegue garantir direitos básicos como a mudança do nome social e também a de se matricular em uma escola, mostrando como o patriarcado sutilmente ainda impede, principalmente as mulheres, de garantirem a sua liberdade. Em meio à isso, Valentina encontra dois amigos prontos para acolherem e entenderem as suas diferenças e pontos em comum.

Infelizmente, nem tudo são rosas neste filme. por conta da descoberta da identidade da menina, ela começa a sofrer bullying e perseguição. são nestes momentos que o filme ressalta como a violência pode vir de detalhes, como palavras e ameaças, quanto da física, como um simples corte de cabelo pode ser agressivo para uma pessoa. É possível sentir o medo, a frustração e a tristeza que a protagonista sente quando é encurralada pela ignorância de uma comunidade.

Thiessa e Guta Stresser, que interpreta Márcia, a mãe da jovem, se sobressaem o filme todo. A linda união delas, especialmente em episódios desconfortáveis, em que a emoção toma conta e ambas, mostram a confiança mútua que só existe entre mãe e filha. Assim como a amizade com Júlio (Ronaldo Bonafro) e Amanda (Letícia Franco), Valentina encontra a base para entender e sentir que não está sozinha.

O filme trata de ressaltar a importância da luta contra a transfobia mostrando detalhes que ferem e desestimulam uma pessoa trans de continuar vivendo normalmente em meio à sociedade e de ir atrás dos seus direitos mais básicos. Mas Valentina suspira e reforça que pequenas coisas são grandes vitórias para quem tanto sonha em ser quem realmente é.

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