Eternos: novo filme da Marvel aposta na diversidade e amadurecimento

Filme Eternos é pura imersão na contemplatividade do drama humano

Chega aos cinemas nesta quinta-feira o filme Eternos, um dos melhores já feitos da Marvel Studios por justamente se desapegar das fórmulas datadas e por seguir uma singularidade que é marca da diretora Chloé Zhao. A produção, que faz parte da Fase 4 do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), acompanha um grupo de heróis imortais que protegem a Terra desde o início da raça humana. Quando criaturas monstruosas chamadas de Deviantes, que pensavam há muito ter sumido da história, retornam misteriosamente, os Eternos são forçados a se reunir para defender, novamente, a humanidade.

A cineasta ganhadora do Oscar 2021 por Nomadland colocou uma essência que combina perfeitamente com o propósito da história: coração. Por serem heróis que foram criados com o único propósito de proteger a Terra e seus habitantes, os Eternos não deveriam se apegar e muito menos se importarem mais do que o necessário com o ser humano. Mas ao presenciar fatos históricos, inclusive tragédias nas quais eram proibidos de interferir, estes seres imortais mergulham nas complexidades e começam a entender que, por mais que existam pessoas que nos façam desacreditar na humanidade, ainda há aquelas que nos mantém esperançosos com o amanhã.

Com dez personagens principais, o longa não encontra tempo o bastante, apesar de suas 2h36min, para desenvolver integralmente cada ser heróico. No entanto, é preciso exaltar como a direção conseguiu captar cada personalidade distinta dentro do grupo em cada momento significativo para o drama. A contemplatividade que permite a imersão e o misticismo da origem dos personagens são os maiores acertos do longa, que mesmo com suas lutas perfeitamente coreografadas e uma direção de fotografia belíssima, mais uma marca da identidade cinematográfica de Zhao, ainda se sobrepõem em um gênero que é tão aclamado pelas suas tão esperadas cenas de ação e mostra o comprometimento em se diferenciar do que já foi feito, até então, pelo estúdio.

Diversidade que importa

A aclamação de Eternos vem da diversidade de seu elenco principal que traz, em maior número, personagens asiáticos, latinos, negros, surdos, mulheres e gays. Por mais que tratem Ikaris (Richard Madden) como o tão esperado líder do grupo, visto que é o típico padrão de herói, é Sersi (Gemma Chan) que comanda a aventura após ser escolhida para receber o bastão de Ajak (Salma Hayek), pela sua sensibilidade e intuição de agir pensando no próximo.

Gilgamesh (Ma Dong-seok) e Kingo (Kumanil Nanjiani) são os principais alívios cômicos da história, assim como Thena (Angelina Jolie) que cumpre o seu papel de Deusa e que hipnotiza devido à beleza um tanto estática. Druig (Barry Keoghan), Makkari (Lauren Ridloff) e Sprite (Lia McHugh) fazem parte da ala jovem do grupo, sendo que a mais nova tem a narrativa mais interessante, reforçando ainda mais a complexidade que é viver entre os humanos, mas sem poder viver, por completo, a experiência como o restante dos colegas.

O filme Eternos só tem a ganhar com a sua ampliação de diversidade e aposta por narrativas mais maduras, mostrando o empenho em não ser mais do mesmo nos cinemas.

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