Despedida: a fantasia capaz de curar o passado

Anaís Grala Wegner é Ana em Despedida

Estreou nesse final de semana o longa gaúcho Despedida na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Dirigido pela dupla Luciana Mazeto e Vinicius Lopes, o filme acompanha Ana (Anaís Grala Wegner), uma menina de 11 anos, que viaja para o interior do sul do Brasil durante o feriado de Carnaval para o funeral de sua avó (Ida Celina), que não via há anos. À noite, pela janela, ela vê o fantasma de sua avó entrando na floresta perto da casa da família. Quando Ana decide segui-la em meio às árvores, ela descobre um mundo de fantasia e mistério.

Para resolver uma antiga desavença familiar, ela precisa recuperar o mundo imaginário de sua mãe (Patricia Soso), há muito esquecido, abandonado na floresta onde ela enterrou sua infância. No caminho de Ana, bruxas, vilões da fábula, criaturas estranhas e um cão selvagem que guarda a passagem para este mundo fantástico.

Despedida poderia ser facilmente classificado como um filme infantil por causa de seus elementos lúdicos e inocência estampada desde os primeiros minutos de história. Mas, conforme as camadas vão sendo levantadas, o roteiro escrito pelos diretores mostra como a intuição de uma criança nunca falha para tentar dar um final feliz a quem se ama.

Por ser estrelado, em sua maioria, por um elenco feminino, o filme não deixa de dialogar com questões atuais com muita naturalidade, como a união entre as mulheres para resolver conflitos, assim como a representatividade de colocá-las em diversas posições, inclusive de antagonista. Pode parecer despercebido por muitos, mas o cuidado em colocar diversos personagens femininos, até mesmo quando são brinquedos, é extremamente importante para quebrar ciclos e dar um novo significado à narrativa.

Esteticamente, Despedida é perfeito. É perceptível o cuidado com o cenário, figurino e efeitos especiais que complementam a história com seus misticismo que nos fazem mergulhar nesta fábula e aos seus dramas familiares. O mesmo pode-se falar do elenco que, como já mencionado, traz um time poderoso de mulheres que mesmo quando apostam na caricatura, deixam o filme ainda mais gracioso. Anaís Grala Wegner é a responsável por guiar a aventura com sua curiosidade e sensibilidade que transparece em tela.

É lindo como a sua personagem se preocupa em consertar o passado traumático de sua mãe, trazendo a importância complexa existente sobre recomeços após lidar com mágoas sufocadas. Além disso, esse processo de luto, descobertas e superação proporcionam um amadurecimento gratificante para alguém tão jovem como Ana. Por isso, Despedida reforça como o poder da imaginação é eficaz para entender a realidade para, enfim, seguir em frente.

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