A pressão pela diversão em Meu Amigo Bussunda

Parece que voltei para minha saga de assistir produções de pessoas públicas que já morreram, né? Mas juro que esta é a última. Por enquanto. Meu Amigo Bussunda é uma série documental, dividida em quatro capítulos, que conta a trajetória do ator e comediante Bussunda, integrante do Casseta & Planeta, Urgente!, programa humorístico, muito popular entre os anos 1990 e 2000 no Brasil. Logo, fez parte da minha infância e juventude, e consequentemente, despertou o meu interesse.

Para quem não tinha nenhum conhecimento da origem do Bussunda, a série é um prato cheio de novidades, que passa desde da origem de sua família judaica até os bastidores dos seus últimos dias, enquanto trabalhava na Alemanha, durante a Copa do Mundo de 2006. Além disso, a produção ainda trata de discutir sobre os “limites da comédia”, pois visto que Casseta & Planeta representava uma época datada e muita coisa está ultrapassada nos dias de hoje. Com isso, a série busca referências entre os comediantes do programa e outros profissionais contemporâneos da área para a discussão. É um tópico para ser analisado, já que quando se trata de humor, os limites são sempre os pontos em que é preciso colocar na balança: pode ultrapassar? Será que precisa? Como é que se faz isto sem ofender?

Meu Amigo Bussunda me fez lembrar de outro filme que assisti recentemente em que, o protagonista, parece seguir os mesmos passos para a sua derrocada. Em Chorão: Marginal Alado, Chorão sentiu de perto, por muito tempo, a pressão de manter o sucesso e o ritmo de trabalho da banda Charlie Brown Jr, tanto que isso acabou o sobrecarregando e fazendo com que ele chegasse no seu limite. O mesmo ocorreu com Bussunda e a fase que o Casseta & Planeta vivia na época da sua morte. Era correria, divergências de conteúdo, reclamações da seleção brasileira, cobranças da chefia, enfim, tudo o que exigia que o programa mantivesse audiência e, mais importante, sucesso. E assim como aconteceu com o Chorão, o que era prazer para a equipe do C&P virou um fardo.

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Mesmo com poucos episódios e uma curta duração, o desfecho de Meu Amigo Bussunda é o seu ponto alto, já que no último capítulo, a filha do comediante, Júlia Vianna, é quem conduz as entrevistas para poder conhecer e se aproximar deste homem que marcou o humor brasileiro. Foi de uma sensibilidade e esperteza trazer a família, especialmente a jovem, que perdeu o pai muito cedo na sua formação, para que a própria possa ter essa sensação de proximidade e de como ele era querido entre amigos, colegas e fãs.

Meu Amigo Bussunda está disponível na Globoplay. 

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