Halston é tipo aquele pretinho básico: não tem mistério, mas que sempre serve

Em apenas cinco episódios, Halston sabe ser charmosa, envolvente e melosa, quando tem que ser. Digo isso, pois Ryan Murphy adora um melodrama, onde recorre em pontos chaves para mostrar como o seu protagonista é sensível, frágil e traumatizado, ao contrário das aparências.

Em Halston, tudo gira em volta do famoso estilista que mudou a história da moda norte-americana ao atingir o mesmo patamar de grandes grifes europeias, em uma época que os Estados Unidos não era relevante na alta costura. A minissérie mostra a trajetória de sucesso que Roy Halston Frowick (1932-1990) traçou nos anos 70 e 80 e de como isso também o destruiu, já que no excesso de poder, arrogância e autoconfiança, ele perdeu relevância, amigos e o seu bem mais precioso: a sua marca. 

A responsabilidade de assumir um papel desses só podia ser entregue a um ator que sabe suportar um personagem mesquinha ao mesmo tempo em que mascara as suas fragilidades. Tal flexibilidade só poderia ser encontrada em um inglês como Ewan McGregor, que entre seus jeitos, alcança a persona esnobe que era Halston, assim como se aproxima do lado mais humano do próprio.  

 • Curta o post sobre Halston no @cinelooou

Halston tem o atrativo da curiosidade por se tratar da vida de um personagem real – pouco conhecido para alguns, mas para outros, pode ser considerado um ícone do seu segmento. Ryan Murphy, ao lado de Dan Minahan (direção), Sharr White e Ian Brennan (roteiro), se propuseram a percorrer o caminho comum de uma biografia, não tão aprofundado, mas o suficiente para se ter uma noção desta figura que volta aos “holofotes” de alguma forma. Mas, o mais interessante na minissérie foi conhecer o processo de criação de uma marca, como ela funcionava (naquela época) e claro, o quão importante é preservar o nome de uma marca, ainda mais sendo um tão representativo. 

Histórias sobre ascensão e queda de alguma celebridade, que envolvem “sexo, drogas e moda”, acabam sendo mais do mesmo. E aqui, não é diferente.  Halston não tem nada de mais, e isso é muito bom se tratando de uma produção assinada por Ryan Muprhy, por não se estender demais em tópicos e momentos da vida do seu protagonista. O produtor tem uma boa mão quando é para fazer obras baseadas em fatos reais – The People vs. O. J. Simpson: American Crime Story, The Assassination of Gianni Versace e Feud: Bette & Joan são suas melhores produções – e ele acerta, mais uma vez, em Halston, por ser curta e muito bem editada ao que queriam contar sobre estilista. É breguinha? Claro. Tem muita cachorrada? Também. É de bom tom? Pode se dizer que sim. Halston é tipo aquele pretinho básico: não tem mistério, mas que serve em qualquer hora. 

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