Tio Frank: sobre finalmente se sentir acolhido

Trio principal de Tio Frank embarca em uma viagem de autoconhecimento

Dirigido por Alan Ball, o mesmo criador da série Six Feet Under, Tio Frank é um road movie sobre o professor universitário, Paul Bettany (Frank Bledsoe), um homem gay que precisa voltar para casa após a morte de seu pai e que, no meio disso tudo, serve de inspiração pessoal na vida de sua sobrinha, a ingênua Beth (Sophia Lillis). Para quem já assistiu a série Six Feet Under, certamente vai se deliciar com este drama disponível na Amazon Prime Video que trata de questões familiares mal resolvidas, traumas que ainda não sararam, aceitação e autoaceitação até, chegar enfim, na superação. Só coisa boa.

Mas brincadeiras à parte, o filme trata dos seus assuntos delicados com bom humor e maturidade para não deixar se deixar cair naquele dramalhão desnecessário, que serve só para impactar. Pelo contrário. Nós já sabemos dos problemas que vamos encontrar e enfrentar ao lado de Frank que, por ser “diferente” do resto da sua família, sobre foi tratado com hostilidade pelo seu pai (Stephen Root), patriarca da casa. Por isso, Frank logo alertou a sua sobrinha, Beth, com quem nutre uma conexão intelectual sem igual, sobre crescer sob os rótulos dos outros e não lutar contra isso, para que, no futuro, ela não se torne apenas mais uma entre tantos.

Desta conversa, que mudou para sempre a percepção de Beth sobre a vida, ela logo amplia o seu olhar a fim de seguir os mesmos passos do tio. E enquanto ambos vivem o luto pela perda de um parente, a dupla entra em uma jornada de autoconhecimento intensa ao lado de Wally (Peter Macdissi), namorado de Frank, que mostra o que é realmente ser companheiro de alguém. 

É difícil falar um pouco sobre uma história que fala tanto sobre a necessidade de validação do outro, especialmente se este outro é a sua família. Tio Frank trata da importância deste porto seguro, deste lugar de origem que a gente sempre pode voltar, e da diferença que faz sentir-se amado por ser quem realmente é na frente de quem também ama.

Gosto que o filme não passa pano para o patriarca declaradamente homfóbico, nem mesmo quando o mesmo está morto, mostrando o quanto ele provocou sofrimento e arruinou vidas. O trio principal traz pontos importantes ao longo do filme para alimentar a força que Frank precisava para se libertar do ódio do pai, do trauma que o mesmo lhe causou no passado e da privação de ter o carinho do restante da família. Parece até mesmo que a morte do pai causou um alívio geral no ambiente.

Tio Frank é uma viagem poderosa para fazer as pazes consigo mesmo e finalmente se sentir acolhido por quem sempre lhe amou.

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