Gramado: Filmes de Jayme Monjardim e Otto Guerra encerram exibição da Mostra Competitiva

Equipe de A Cidade dos Piratas. Foto: Lou Cardoso / Especial

Matéria escrita para o site do Correio do Povo em agosto de 2018

A noite dessa sexta-feira no 46º Festival de Cinema de Gramado foi de extremos para o público cinéfilo. Primeiramente, o longa do diretor Jayme Monjardim iniciou a última noite de exibição da Mostra Competitiva de filmes brasileiros com o sentimentalista O Avental Rosa.

Segundo Monjardim, a história foi inspirada em voluntárias solitárias preocupadas com o bem do próximo. “A Alice representa milhares de mulheres brasileiras que vivem numa situação difícil financeiramente porque a nossa política hoje está caótica. Você não consegue receber os seus benefícios, e ao mesmo tempo é uma solidão tremenda, onde você não tem com quem conversar. Então quando apareceu este universo eu pensei ‘está aqui o nosso filme”, disse o cineasta. “Foi legal porque a gente conseguiu enveredar neste universo, tentar procurar respostas para estas pessoas e entender o mundo em que elas vivem”, completou.

Monjardim definiu o filme como uma linda história de amor à vida.

“A gente não está aqui para divulgar o filme, mas a mensagem. Eu acho que a gente está precisando disso. Estamos vivendo um momento difícil. As pessoas estão frias umas com as outras, elas não se olham, não se falam. Através da cultura a gente consegue mudar muitas coisas e eu sou ainda daqueles idealistas que querem mudar o mundo, então estamos aqui por uma bela causa: tentar levantar a humanidade”, afirmou.

O Avental Rosa tem alguns cenários filmados em Porto Alegre e o próprio diretor ressaltou o amor que sente pelo Estado. “Porto Alegre tem uma coisa legal que você consegue fazer aqui várias capitais do mundo. Você quer uma coisa mais moderna ou nostálgica, você tem”, declarou.

A liberdade criativa de Otto Guerra

Saindo do drama da voluntária Alice de O Avental Rosa, o Festival de Cinema de Gramado encerrou a Mostra Competitiva com o frenético A Cidade dos Piratas, do animador gaúcho Otto Guerra. A produção do longa durou quase 20 anos por causa do conflito criado em cima do veto da caturnista Laerte sobre as tirinhas Piratas de Tietê. “Ela tinha uma relação de ódio com os próprios personagens. Eles foram renegados por ela porque eram machistas e homofóbicos. Ao invés da gente sucumbir a isso, resolvemos usar a nosso favor e da mudança da autora. Isto deu um ganho grande”, disse Guerra.

Para Otto, o grande mérito da sua nova animação é a vida própria que ela ganha.

“A gente quer ter controle sobre a história, estar acima disso. O fato de ter tido câncer, eu logo pensei ‘eu vou fazer o filme que eu quero fazer. Eu tinha feito dez versões do roteiro. Sempre é conflituoso o que vira os roteiros de qualquer forma. Mas esta é a questão do filme, ele não tem uma resposta”, acrescentou.

Sobre a presença da Laerte no filme, Otto contou que a animação também serve como uma biografia da cartunista. “O Laerte são todos os personagens. Inclusive eu.”

A Cidade dos Piratas pode parecer confuso para alguns, mas o filme é uma extensão do processo criativo de Otto. Segundo Guerra, a sua direção funciona após a escolha da sua equipe e a liberdade que proporciona para cada um poder se expressar. “É difícil escolher as pessoas, a história, os técnicos. Eu sou esta figura: ao mesmo tempo que não faço nada, eu faço tudo”, afirmou. “A liberdade funciona. O estúdio Otto Desenhos virou um trabalho coletivo”, completou.

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s