Gramado: Simonal cai nas armadilhas de uma cinebiografia

Fabrício e Ísis em Simonal. Foto: Divulgação

Cinebiografias são um risco no cinema. Além do compromisso de retratar a vida pessoal de uma personalidade, o longa também precisa de uma execução criativa. O que não acontece em Simonal, filme exibido na noite dessa segunda-feira no 46º Festival de Cinema de Gramado. Dirigido por Leonardo Gonçalves, a produção narra a ascensão e queda do cantor Wilson Simonal, famoso nas décadas de 1960 e 1970.

Após ser acusado de ser informante do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão do regime militar no Brasil durante a ditadura nas décadas de 60, 70 e 80, Simonal perdeu contratos milionários, shows e, principalmente, fãs. Ele não era bem-vindo em lugar algum. Fator que o deixou no esquecimento do cenário musical brasileiro que vivia um dos seus períodos mais ricos da história.

A narrativa clássica de cinebiografias de picotar episódios pessoais e simplesmente jogar para o público se tornou tão utilizado na maioria das produções desta proposta que tornam o momento maçante. O recurso é o mesmo visto em Cazuza – O Tempo Não Para (2004) e em Tim Maia (2014), que conseguem explorar mais do protagonista.

No entanto, a obra de Gonçalves não existe um recorte fundamental que possa descrever quem foi Wilson Simonal. As cenas não são intensas o suficiente para entender a origem do cantor e tampouco a história nos sensibiliza com o episódio envolvendo o Dops, que culminou na sua derrocada profissional. Infelizmente, Simonal foca apenas nas ostentações materiais e brigas fúteis com a esposa Tereza (Ísis Valverde). Novamente, vemos a jovem dona do lar reclamar da ausência do marido e descarregar a tristeza em remédios.

Fabrício Boliveira é o responsável por dar vida a Wilson Simonal e ele entrega um desempenho carismático do músico, além de possuir a energia da história e emocionar na sua cena final. Ísis Valverde tem um trabalho limitado na história, não podendo explorar profundamente as questões pessoais daquela que foi a musa de Simonal. Contudo, é evidente a dinâmica da dupla na tela que repete a parceria vista antes em Faroeste Caboblo (2013).

Simonal repete uma fórmula conhecida mundialmente nos cinemas e deve agradar a maioria do público. Porém, estes recursos tornam a experiência repetitiva e faz com que o filme caia nas armadilhas de cinebiografias. O longa tem previsão de estreia nos cinemas somente para 2019.

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