Gramado: Atrizes de Mormaço ressaltam importância social do filme

Marina protagoniza Mormaço. Foto: Cleiton Thiele / Pressphoto 

A mistura de gêneros que acontece em Mormaço, longa exibido na noite desse domingo dentro da Mostra Competitiva do 46º Festival de Cinema de Gramado, foi um fator decisivo para apresentar um dos problemas sociais do filme. A remoção de uma comunidade pobre para construção de empreendimentos imobiliários é apresentado no longa dirigido por Marina Meliande como um drama que se manifesta fisicamente no corpo de Ana (Marina Provenzzano).

Segundo a atriz, a construção da personagem foi influenciada pela história da Vila Autódromo, do Rio de Janeiro, na época em que aconteciam as obras para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016.

“Eu fiquei pessoalmente incomodada com o que estava acontecendo com o movimento e esta política horrível das remoções. Foi uma chance de mergulhar nisso, foi um momento para estudar e entender o quão absurda era a história. Fui conhecer uma defensora que estava engajada em ajudar as pessoas e aí conheci a Sandra Maria, e elas são as grandes resistências da Vila Autódromo. Ficou tudo muito próximo”, contou Marina.

Sandra Maria é uma das moradoras da Vila Autódromo, cenário principal do filme, e contribuiu tanto para a construção da história quanto para a produção.

“Eu faço parte das pessoas que fazem a resistência. Eu fiquei muito emocionada quando a diretora me apresentou o roteiro e disse que queria participar do trabalho. É uma visão poética. Para mim, foi pura emoção quando a ficção se confunde com a realidade”, destacou Sandra.

Em um dia de filmagem, a própria Sandra relatou que aconteceu um momento real de remoção que facilmente poderia ser confundido com uma cena sendo produzida. “Tinha cenas que eu tinha que me acalmar para poder gravar. Teve um dia que eu vi um batalhão de homens e pensei que eram figurantes. Era muito difícil gravar uma história em um espaço real e que você estava presenciando aquilo”, recordou. Entretanto, o resultado final será fundamental para que outras pessoas conheçam esta situação social.

“O cinema é importante no sentido de denúncia. Ter isto documentado é importante pois o cinema eterniza as questões”, completou.

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