Edson Celulari: “O artista tem que ter o olhar para o mundo”

Edson foi homenageado no Festival. Foto: Edison Vara / Pressphoto

Edson Celulari, conhecido popularmente pelos seus trabalhos na televisão brasileira, é o homenageado da 46º edição do Festival de Cinema de Gramado com o troféu Oscarito pela sua contribuição ao cinema nacional. Com 10 longas-metragens no currículo, o ator relembrou o início da sua carreira quando estreou nas telas e também destacou a sensibilidade da profissão de ator.

“Com Djalma Batista, eu fiz belos trabalhos, mas Asa Branca – Um Sonho Brasileiro me despertou para o cinema como linguagem. Eu sempre gostei de cinema e, quando comecei a trabalhar, eu me interessei pelo neorealismo italiano”, citou.

“O artista tem que ter o olhar para o mundo. Fernanda Montenegro sempre fala que no ofício do ator é 30% de talento, e o resto é trabalho. É também um pouco de sorte, mas no momento que ele é chamado, ele tem que estar com este olhar”.

Com 40 anos de carreira, Celulari comemorou que os atores estão tendo novos meios para trabalhar com a chegada das séries criadas por plataformas de streaming. Entretanto, ressaltou que é importante estabelecer limites profissionais. “É bom porque o mercado está se mexendo e tem gente sendo chamada. O difícil para nós atores é o que fica para a gente? O quanto eles pagam por esta mão de obra e que direitos nós teremos? É um mercado difícil”, destacou.

“Eu vejo com bons olhos, acho que nós temos uma mão de obra especializada incrível no Brasil, não só de elenco, mas de criadores. Eu só espero que a gente tenha uma qualidade artística em primeiro lugar, que é tudo o que um artista quer.”

O último trabalho nas telas de Celulari foi o Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos, onde interpretou Vitório, ao lado de Soledad Vilamill, e foi exibido no ano passado no Festival. Agora, o seu novo desafio será o filme intitulado Atlântico Pacífico, no qual ele assumirá a direção pela segunda vez.

“Eu estou na fase de leitura de roteiro e determinando a narrativa. É uma história de pai e filha que viveram separados e ele quer retomar a relação com ela. É um road movie e um filme intimista. Estamos trabalhando para depurar tudo isso ainda”, revelou. Essa troca de funções não será tão difícil para Celulari assumir.

“Não é diferente do trabalho de ator. A gente faz conteúdo com objetivo de atingir uma plateia geral e o diretor não carrega isso sozinho. Eu quero contar são histórias de qualidade, que emocionem. Eu não tenho nenhum objetivo estético, mas o compromisso de contar história”, completou.

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