Carlos Saldanha: “Cada filme que eu faço é um desafio”

Carlos foi homenageado no Festival. Foto: Edison Vara / Pressphoto

O carioca Carlos Saldanha sempre quis trabalhar com arte. Quando foi questionado pelos pais na adolescência sobre a sua escolha profissional, não recebeu o apoio que esperava. Com apenas 16 anos, ele já tinha se formado no ensino médio, então decidiu apostar em outra área que lhe interessava: informática. Anos mais tarde, com direito a faculdade e bolsa de mestrado nos Estados Unidos, Carlos finalmente conseguiu unir as suas três paixões: desenho, computação e contar histórias.

Assim foi a trajetória do cineasta responsável pelas famosas animações americanas Rio (2011), Rio 2 (2014), Era do Gelo 2 (2006) e Era do Gelo 3 (2009), e que neste sábado receberá o troféu Eduardo Abelin no 46º Festival de Cinema de Gramado, homenagem dedicada a diretores, realizadores e entidades do cinema.

Segundo Saldanha, as oportunidades profissionais foram aparecendo ao longo da sua vida e sempre levou cada trabalho com o objetivo de poder ir além. “Animação sempre foi um desafio para mim. Eu queria muito fazer. Comecei a fazer curtas, depois comerciais e em cada etapa do processo, eu queria aprender mais. As coisas foram acontecendo, mas sempre fui em busca de novos desafios”, disse. Há pelo menos 25 anos na Blue Sky Studios, empresa de tecnologia e estúdio pertencente à 20h Century Fox, onde diretor já realizou sete filmes e deposita toda a sua energia.

“Cada filme que eu faço é um desafio. O que eu aprendi fazendo animação é contar histórias e criar personagens. Esta parte é uma qualidade que eu posso dividir com todo mundo a minha forma de ver cinema”, completou.

A sensibilidade do primeiro momento de uma ideia é a principal inspiração para o trabalho de Saldanha. “Eu acredito muito em coisas positivas. Eu vou muito pelo instinto quando eu escuto uma história, ou quando ouço um projeto e tenho uma ideia. Eu acredito muito neste primeiro momento. É o momento mais puro da sua imaginação”, declarou o diretor de “Touro Ferdinando” (2017), que inclusive foi indicado ao Oscar de Melhor Animação este ano.

Um gringo visitando o Brasil foi a oportunidade perfeita do animador dirigir o primeiro filme mostrando as suas raízes do Rio de Janeiro. Depois de cumprir a tarefa de realizar as sequências da Era do Gelo, ele enfim pôde colocar um pouco de brasilidade em seus filmes. “Rio é um filme muito especial. É de minha autoria, e na época eu era o único brasileiro da equipe. Eu trouxe umas 10 pessoas para conhecer o Brasil e fizemos a pesquisa juntos. É um filme meio a meio: financiado pelos Estados Unidos, mas com coração brasileiro. Esta foi uma contribuição minha para o Brasil”, afirmou.

Carlos brinca que suas produções são, na verdade, feitos para adultos, mas que deixa as crianças assistirem também. “Filme de animação, eu faço pensando em mim. A vantagem de trabalhar com animação é que você pode falar de mensagens fortes ou até polêmicas de maneira sútil. De uma maneira que você está vendo um bichinho falando e um adulto percebe o que uma criança não vê e vice-versa. Então você consegue fazer um filme que funciona para os dois”, relatou.

O próximo projeto de Carlos Saldanha é o desenvolvimento da série Cidades Invisíveis, para Netflix, onde vai atuar como co-diretor e produtor. “É uma série policial, não é feito para crianças, é mais para turma mais adulta da Netflix. Tem elementos de fantasias sobre a cultura brasileira”, indicou o diretor que quis deixar o mistério da sua nova produção. Confira a entrevista com o diretor neste link

 

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