Encerrando a Maratona Oscar 2017

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Os filmes indicados a Melhor Filme do Oscar 2017 mostram a qualidade que Hollywood tem produzido do último ano para cá. São histórias simples, de pessoas comuns e com mensagens tão bonitas que são capazes de nos provocar muitas surpresas e nos deixar com coração satisfeito. Ou melhor, bem alimentado. Pelo menos é assim que me sinto quando saio do cinema feliz de ter assistido uma boa obra. Como são os casos dos filmes a seguir:

Moonlight – Sob A Luz do Luar ★★★★★

Após La La Land – Cantando Estações, Moonlight – Sob A Luz do Luar é o meu filme preferido desta temporada. O motivo é pela sensibilidade que é executada. Dividido em três atos, a história acompanha cada fase da vida de Chiron (Alex R. Hibbert / Ashton Sanders / Trevont Rhodes) que vive em um ambiente hostil, violento e preconceituoso. O diretor Barry Jenkins dividiu o filme em três atos que definem perfeitamente a vida desta solitária criança. Na infância, ele é alvo de bullying por seu comportamento frágil e tem que conviver com a mãe drogada, agressiva e totalmente ausente. Chiron encontra conforto ao conhecer o traficante Juan (Mahershala Ali) e a namorada Tereza (Janelle Monáe) que lhe acolhem e o ajudam com estas dificuldades. As cenas em que Juan e Chrion tem suas conversas mostram o lado paternal que a criança tanto precisava e também o quão protetor Juan é com aqueles na sua volta. Seja com seus “empregados” ou até no ambiente em que vive, ele foge totalmente do estereótipo de traficante e enriquece nobremente o filme. A sinceridade que transmite para Chiron, principalmente quando é questionado sobre o que é bicha e ter que ensinar sobre estas maldades, é de cortar o coração, mas incrivelmente belo. Particularmente, Mahershala Ali é o meu preferido no filme todo. Sua passagem é rápida, mas muito eficiente para história.

O único porém no longa fica no desfecho da história. Os dois primeiros atos são ricos em detalhes, visuais e diálogos que montam a personalidade de Chiron. A troca de personagens nestas duas fases possuem uma ligação tremenda tanto na interpretação quanto na aparência dos atores. Ao contrário de Boyhood – Da Infância à Juventude, não foi preciso esperar os atores crescerem para dar continuidade à produção do filme, mas a semelhança entre os atores que interpretam Chiron é gritante. Mas já no terceiro capítulo, a transformação de Chiron causa estranhamento. Aquela pessoa tímida e extremamente frágil, se tornou o oposto do que se esperava. Se por um lado, a intenção era provocar esta mudança radical devido aos acontecimentos anteriores, por outro, o roteiro e a direção falham em encerrar esta última parte que se torna arrastada e sem propósito. Chiron seguiu o conselho de Juan e definiu quem deveria ser nesta vida do que deixar os outros decidirem. E apesar de ser compreensível esta virada, ao mesmo tempo deixa uma pequena confusão na nossa mente. Mas enfim, isto não atrapalha completamente o filme que se mostrou cuidadoso em transformar a dor de uma minoria em belo.

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A Chegada 

A Chegada foi um dos últimos filmes que assisti e apenas digo que foi um desperdício esperar tanto para apreciar esta grande obra de Denis Villeneuve. A presença de alienígenas na Terra é um mero detalhe para o que o filme nos proporciona. A narrativa mistura o presente da Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma professora de linguística que é convocada a ajudar na missão de comunicação com os “visitantes” nos Estados Unidos com cenas aleatórias de sua vida particular. Esta mistura ao mesmo tempo que parecem serem complementares, reservam uma enorme surpresa. E é uma ótima surpresa e que faz o filme todo ser esta maravilha.

A atuação de Amy Adams é magnífica. Mesmo aparentando ser uma mulher frágil, ela mantém se firme e forte o filme todo. E eu adoro esta postura que atriz tem em seus filmes. Em A Chegada ela é a única mulher líder de uma equipe carregada de homens que mesmo questionando os métodos da professora, depositam confiança e depois simplesmente a enaltecem pelas conquistas. Mostrando que ela não precisa ser grande e nem ameaçadora para impor respeito, mas utilizando aquilo que deveria ser essencial na relação humana: a comunicação e paciência.

E mesmo que este seja um dos principais focos do filme, A Chegada também propõe outra reflexão das escolhas que fazemos na vida mesmo sabendo das suas consequências. Ouso roubar as palavras de Pablo Villaça, pois não há melhor jeito de descrever o filme do que com estas frases: “Há amores tão imensos que insistimos em vivê-los mesmo sabendo que a experiência resultará inevitavelmente em dor. Não há razão que explique nossa decisão de abraçá-los e o fascinante é que, mesmo que houvesse, não a ouviríamos. São amores tão fortes que parecem existir fora do tempo: não nos lembramos de como éramos antes deles e nem conseguimos nos imaginar como seríamos (ou seremos) depois.” Louco pensar que A Chegada possa ser sobre um filme sobre as dores da vida sendo um filme de ficção cientifica, não é?

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Até Último Homem 

Há aqueles filmes que assistimos com uma certa resistência pois acreditamos que já assistimos de tudo sobre determinado gênero. Era assim que pensava sobre Até Último Homem, de Mel Gibson. O ator que retornou para cadeira de direção com este filme de guerra se tornou a maior surpresa desta edição do Oscar para mim. Se estava com preguiça de assistir mais uma história de como os americanos foram os grandes heróis da Segunda Guerra Mundial, o diretor não fugiu desta ideia, mas soube emocionar e nos instigar com o andamento da vida de Demond Doss (Andrew Garfield). Baseado em fatos reais, este jovem se alista no exército dos Estados Unidos para fazer aquilo que acredita: ser capaz de salvar vidas. Coisa totalmente contraditória para quem vai para a guerra. A surpresa parte daí pois além de se recusar a pegar numa arma e matar pessoas, Desmond quer integrar o batalhão com suas próprias regras. Se antes parecia teimosia, ao decorrer do filme, você começa a enxergar Desmond com outros olhos e compreende a sua missão na Terra. Claro, os flashbacks e diálogos ajudam no entendimento, mas é possível ir além disso e respeitar as suas crenças.

Disparadamente, Andrew Garfield está no melhor papel de sua carreira. Somente ele seria capaz de ser este cara simpático, religioso e apaixonado que poderia facilmente ficar em casa, mas se manteve tão convicto quanto aqueles que treinavam e lutavam bravamente no campo de batalha. Garfield possui a humildade e pureza que constrói este grande herói americano. Tanto o ator quanto o próprio Desmond Doss podem dizer que cumpriram com honras as suas missões. E também Mel Gibson merece Parabéns por esta obra que mostra o quão talentoso ele pode ser atrás das câmeras. Torcemos para mais filmes realísticos, curiosos e emocionantes como Até Último Homem.

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A Qualquer Custo ★★★

O último filme dos indicados que assisti foi A Qualquer Custo, que curiosamente, foi um dos primeiros a serem lançados em 2016. Mas ao contrário do que estou acostumada com filmes de ação, fiquei curiosa com a produção e novamente, fiquei satisfeita com o resultado. O longa dirigido por David Mackenzie fez a mesma manobra que Damien Chazelle fez com La La Land – Cantando As Estações que foi renovar o gênero. A essência do Western permanece neste longa com as perseguições, tiroteios e muitos xerifes com chapéus de cowboy, mas se moderniza com artefatos como iPhones, computadores, cassinos e claro, seus atributos cinematográficos. Desde início, A Qualquer Custo se mostra ágil e assim como os irmãos protagonistas Tanner (Ben Foster) e Toby (Chris Pine) sabe onde quer chegar. Infelizmente, possui um desfecho raso demais e não tão cheio de adrenalina como se apresenta o filme todo.

O grande destaque fica para Jeff Bridges que é o policial realizando seu último caso antes da aposentadoria e ele não vai perder estes criminosos de forma alguma. Com um jeito canastrão, brincalhão e marrento, o ator conquista a nossa simpatia logo de cara. Seu jeito cuidadoso ao falar com as vítimas de assalto, mesclam com a implicância que tem com seu colega de trabalho. É justa a indicação de Bridges como Melhor Ator Coadjuvante tanto pela sua função na história quanto pela sua atuação. Outro que merecia maior reconhecimento é o ator Ben Foster. Além de ser um personagem desagradável, faz isso muito bem durante o filme. Eu fiquei muito surpresa quando soube que ele participou de uma das séries que idolatro, Six Feet Under, e hoje está completamente irreconhecível. Cresceu e apareceu muito bem, hein? A Qualquer Custo fecha com chave de ouro a minha maratona Oscar 2017 e nunca fiquei tão de olhos, mente e coração cheios de alegria com esta arte que tanto me alimenta.

2 comentários

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