Cinquenta Tons Mais Escuros ★

fiftyFifty Shades Darker | Direção: James Foley | Roteiro: Niall Leonard | Elenco: Dakota Johnson, Jamie Dornan, Marcia Gay Harden, Kim Basinger, Hugh Dancy, Eric Johnson e Rita Ora | Gênero: Romance | Nacionalidade: Estados Unidos | Duração: 1h58min

Após o lançamento de Cinquenta Tons de Cinza, o primeiro de uma saga baseada na trilogia literária escrita por E.L. James, Cinquenta Tons Mais Escuros teria a vantagem de aprender e não repetir os erros do longa anterior. Que nada. A sequência consegue proporcionar mais uma vez uma onda de risadas do que de suspiros excitantes com conto de fadas erótico protagonizada por Anastasia Steele (Dakota Johson) e Christian Grey (Jamie Dornan). Dirigido por James Foley, Cinquenta Tons se revela uma história inverossímil, boba e cheio de frases antiquadas e vazias. A saga Crepúsculo chega a ser mais realístico perto de tantos conflitos que ocorrem no romance deste casal que de sedutores, não provocam nem a curiosidade dos mais danados.

O filme começa a partir da nova rotina entre Anastasia e Grey que romperam o contrato após o empresário ter “revelado” seu lado sombrio para a jovem. Ciente de que não estava em um relacionamento saudável e que era bastante abusivo, a personagem resolve aproveitar que está na posição de decidir se este namoro continua ou não, ela propõe um novo acordo para Grey: sem regras, sem contratos e sem segredos. Sem pensar duas vezes, ele aceita. Contrariando todos os termos que criou para si durante a vida. Assim como este amante sádico, Anastasia parece ter um temperamento bipolar infantil. Ora diz que não quer ser espancada, ora diz que quer ir pro quarto vermelho. Ela quer ser independente, mas não assume os compromissos do trabalho quando o namorado discorda de uma viagem com o chefe. Enfim, são regras instáveis desta versão 2.0 do relacionamento que até então era uma novidade na vida de Grey. E por conta disso, reaparecem duas antigas submissas que não aparentam terem superado o fim do contrato e querem saber por que Anastasia foi a escolhida e elas não. Parece e é muito absurdo tudo isso.

Eu quis dar uma chance para Cinquenta Tons Mais Escuro, mas a cada sequência parece ser mais difícil de aceitar as aventuras que Anastasia e Christian apresentam para o público. Sem contar as cenas de sexo que de erótico apenas deixam a promessa. O diretor parece mais preocupado em iniciar as preliminares do que chegar até o clímax. E mais uma vez, vou adotar o discurso da super exposição do corpo feminino nos filmes de Hollywood, já que Dakota aparece completamente nua diversas vezes enquanto que Jamie mal tira as calças durante a transa. E não é apenas uma, mas todas as vezes que eles transam. As performances sexuais também são medrosas pois assim como a própria atuação dos atores, não há intensidade e nem um relaxamento entre o casal. Dakota pede que Christian lhe faça oral, mas ela não abre as pernas para receber. A gente quer sexo, a gente quer ver pegação, a gente quer homem pelado, a gente quer safadeza, seu diretor!

Cinquenta Tos Mais Escuros apresenta uma trilha sonora muito mais sedutora do que história exibida. Com canções de Sia (Helium), Halsey (Not Afraid Anymore) e a minha favorita com ZAYN e a argh Taylor Swift (I Don’t Wanna Live Forever), o erótico se fará mais presente no nosso imaginário com estas músicas do que com ação na tela. Infelizmente, este vai ser o único fator positivo do longa inteiro. O roteiro falha ao criar tantas situações fúteis que em minutos são resolvidas porque o dinheiro compra tudo, Christian falou com alguém ou o amor é mais forte. A dupla protagonista é rígida e fraca em querer conquistar a nossa simpatia. Dakota Johson possui uma fala baixa e inexpressiva. Jamie Dornan é outro que feliz ou irritado, não percebemos a diferença. Kim Basinger faz uma participação inútil e um tanto embaraçosa. Enfim, Cinquenta Tons Mais Escuro se revela mais um apanhado de constrangimentos alheios que esqueceu que estamos no século 21 e que não precisamos ter vergonha de falar de sexo, conto de fadas com castelos, helicópteros e iPhones não existem, e principalmente de que a palavra submissa é perigosa para continuar romantizando nos tempos de hoje, mesmo que indiretamente, não é um bom exemplo. Literalmente, Cinquenta Tons Mais Escuro não é um bom exemplo.

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