O Roubo da Taça

Direção: Caito Ortiz | Roteiro: Lusa Silvestre e Caito Ortiz | Elenco: Paulo Tiefenthaler, Taís Araújo, Danilo Grangheia, Milhem Cortaz, Stepan Nercessian, Fabio Marcoff, Mr. Catra, Leandro Firmino e Grace Passô | Gênero: Comédia | Nacionalidade: Brasil | Duração: 1h25min

Quando entrevistei o Rubens Ewald Filho na coletiva de lançamento do 44º Festival de Cinema de Gramado, ele comentou que uma das novidades que a curadoria quis trazer para a edição deste ano foi justamente a inclusão de mais filmes do gênero da comédia. Entre eles, estava O Roubo da Taça, uma comédia que teria tudo pra ser uma ficção, mas que inacreditavelmente não foi.

O Roubo da Taça reconta as aventuras de dois rapazes que, na esperança de arranjarem um dinheirinho para pagar as suas dívidas, roubam a taça Jules Rimet, conquistada na Copa do Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira, da sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Rio de Janeiro. O roubo que aconteceu de forma tão surreal de tão fácil que foi, só poderia ficar melhor e pior no final das contas. Aquela taça era nada menos que a própria original exposta no local, enquanto que a réplica, estava guardada em um cofre. Agora você se pergunta: quem é que deixa isto acontecer? Só o brasileiro.

O filme dirigido por Caito Ortiz foi sem dúvidas, um dos melhores que assisti e que foi exibido no Festival de Cinema de Gramado 2016. Se a intenção era nos fazer rir, já que a vida anda tão pesada, conforme Rubinho me comentou na entrevista, o objetivo foi cumprido. O Roubo da Taça está longe de ser um pastelão sem profundidade. O longa retrata de uma maneira bem caricata a época que se passa a história e poderia até dizer que ele retoma a pegada da chanchada, uma característica das comédias nacionais dos anos 60, 70, por aí.  Não é por menos os prêmios de Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia no Festival, pela união dos elementos dos cenários, figurinos, cabelo e maquiagem com as luzes e a densidade que a fotografia pode nos proporcionar. O Roubo da Taça ainda saiu com as “taças” de Melhor Roteiro e Melhor Ator para Paulo Tiefenthaler.

O papel de Tiefenthaler, o protagonista Peralta, faz um grande jogo em cena. O personagem não poderia ser melhor retrato masculino: extremamente malandro e muito sortudo. Ele chega a ser caricato, mas apenas se integra a forma como o filme todo trabalha, sem pretensão alguma e se entregando ao deboche. Um dos grandes destaques do O Roubo da Taça é a presença de Taís Araújo, como a Dolores, namorada do trambiqueiro aí de cima. Ela é a representação da mulher gostosa nos filmes de comédias, cheio de testosterona, mas consegue ser acima disso. A atriz interpreta uma mulher forte e que não fica em casa esperando por Peralta, sabendo ser aquém do bando de macho que roubou a taça.

O Roubo da Taça é uma ótima comédia, inteligente e que surpreende a todo momento. A produção assinada pela Netflix, apenas deixa rolar as piadas com muito mais liberdade e criatividade durante o rolo. O conjunto de toda a obra é um ótimo exemplo de que o gênero cômico pode ser levada a sério no cinema. Uma ótima frase, que uma vez me disseram, poderia definir muito bem o longa. O Roubo da Taça é que nem o próprio homem carioca: a gente sabe que não presta, mas gente adora.

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