Sinfonia da Necrópole

Direção e Roteiro: Juliana Rojas | Elenco: Eduardo Gomes, Luciana Paes, Hugo Villavicenzio, Germano Melo, Paulo Jordão, Augusto Pompeo | Gênero: Musical | Nacionalidade: Brasil | Duração: 1h34min

Sinfonia da Necrópole é tão, mas tão legal que não lembro a última vez que sai tão feliz de uma sala de cinema. O filme de Juliana Rojas é uma delícia para os fãs de musicais, especialmente para aqueles que estavam sedentos por um brasileiro com canções pra lá de originais. O longa foi vencedor do Prêmio da Crítica do 42° Festival de Cinema de Gramado em 2014 e desde então me despertou o interesse não só por ser um musical, mas por ser ambientado em um cemitério. Como é que a junção poderia dar certo? Sinfonia da Necrópole é uma obra feita para atiçar a curiosidade e deixar o espectador com um sorriso faceiro querendo cantar junto em cima dos mortos. Mas calma, aqui quem canta são os que estão vivos e muito bem vivos. 

O filme gira em torno do ingênuo Deodato (Eduardo Gomes), um aprendiz de coveiro que mostra aparentemente o seu medo de estar trabalhando em um cemitério. Mas quando Jaqueline (Luciana Paes) chega para trabalhar no lugar para reorganizar e reformar os túmulos abandonados, ele prontamente esquece que está pisando em cadáveres. Logo ele se apaixona pela moça, que ao contrário de Deodato, tem a voz firme e é muito racional. No desenrolar do filme, há funcionários, padre, o gerente e o tio de Deodato que cantam e nos divertem com as suas histórias.

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O romance de Deodato e Jaqueline toma boa parte do tempo e nos proporcionam lindas canções. Mas não é só isso. Deodato é um cara sensível, que se questiona o tempo todo se o trabalho que está fazendo está certo. E mesmo sendo tímido, ele não guarda para si o que lhe passa por dentro. Tanto com suas questões ética quanto o seu amor por Jaqueline. “Eu olho a cidade como eu canto, eu indago. Existe alguém como eu do outro lado”.

Eu tenho apenas elogios a este filme que merecia um grande público nos cinemas. É um romântico musical que não traz aqueles casinhos que estamos acostumados a ver. E tão pouco nos entendia com um milhão de músicas que não dizem nada. Até os singelos diálogos são tão fortes que apenas evidenciam a realidade. “Às vezes eu penso nela e dói. Se dói é porque estamos vivos”, viu só?” As canções tão poéticas apenas tornam ainda mais vivas os simples personagens que lidam diariamente com a morte e que nem por isso carregaram um caixão de tristeza. “Melhor deixar saudades, do que alívio”, diria a moça responsável das coroas de flores. A direção de Juliana Rojas é que nem Deodato, simples, humilde e sabe onde quer chegar.

Sinfonia da Necrópole não precisou de grandes estúdios, efeitos especiais e nem um cantor profissional para estrelar este musical, que por ser tudo isto, precisou de muitos culhões para ser produzido. Sinfonia da Necrópole só precisou da morte para nos deixar apaixonados pelo cinema.

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