Os Últimos 5 Anos

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Cathy Hyatt e Jamie Wellerstein são casados. Ela é uma atriz em busca de uma carreira, mas ainda não conseguiu um grande papel. Ele é um romancista em ascensão, cuja última obra está em evidência. Eles reveem seu relacionamento. A diferença entre o sucesso de Cathy e de Jamie os faz entrar em conflito e repensar os últimos cinco anos, tempo em que estiveram juntos. Fonte: AdoroCinema

Eu estou longe de ser uma especialista em cinema. Gosto de me considerar uma apaixonada pela sétima arte.  E com isso, fico alucinada com histórias sendo projetadas em uma tela grande numa sala escura com canções traduzindo o que apenas enxergamos. Eu amo sofrer por amor. Principalmente quando é contada e sentida através de músicas. E Os últimos 5 anos tinha praticamente tudo pra se tornar um dos meus filmes favoritos: uma história de amor 100% musical sem um final feliz. Porém as minhas expectativas acabaram sendo grandes demais.

O fato de ter menos de duas horas me deixou ainda mais ansiosa pela obra de Richard LaGrayenese (P.s. Eu te amo). Pensei “ótimo, vai ter a medida exata para me deixar satisfeita e com um gostinho de quero mais.” Mas acontece que muita canção pra pouco conteúdo acaba entediando tanto que você torce pra que o casal termine o relacionamento de uma vez. Tudo isso porque não há envolvimento suficiente pra você se relacionar com a dupla de Anna Kendrick (Caminhos da floresta) e Jeremy Jordan (Smash). A abertura com Anna cantando “Still Hurting” te capta em questão de segundos pois a cena é direta e pela dor que a personagem está passando, você entende que a história dos últimos cinco anos foram intensas o bastante para tal e que o motivo do término tenha sido cruel demais. Entretanto, a narrativa te enrola o bastante pra fazer truques de montagem em que mistura presente e flashbacks para nos levar no passado do casal, e nos fazer nos apaixonar junto com eles. Mas tudo em vão. O velho truque de tons frios em cenas de crise e fim relacionamento, intercalado com cenário e roupas coloridas nos momentos de harmonia e início de namoro é usado de forma óbvia e sem nenhum aprofundamento. Como disse antes, o fato de ser um filme de 94 minutos, acaba deixando de ser explorado em etapas carentes,  para quem sabe, inovar no modo como o filme é contato, no roteiro, na montagem ou até na interpretação dos atores. As músicas estão ótimas na tela, mesmo enfeitando a produção, praticamente o transformando em um videoclipe comprido. Porém acredito na ideia de que se as canções tivessem sido intercalada com um roteiro com diálogos de verdade, o filme ganharia muito mais. Deixando para o público, um maior entendimento desse amor e o ápice com uma musiquinha para ser a cereja do topo do bolo.

Acredito que Anna e Jeremy cumprem a sua função. Claro, vou puxar um pouco o saquinho da atriz, pois sou muito sua fã e adoro cada participação que faz. E nos Últimos 5 anos, a gente sabe que vai acabar sofrendo muito mais com a sua personagem do que a de Jeremy, que desde do início, já desponta como aquele sortudo que nasceu virado pra lua e como qualquer apaixonada, o seguimos em qualquer canto que ele resolva se enfiar. Por isso, a aproximação com Cathy desde o início do rolo, nos faça torcer muito mais por ela do que por Jamie. Pois estamos vendo o seu lado da história sempre antes da dele. E por não ter tanta simpatia pelo personagem de Jeremy, a sua atitude para o fim do casamento, o deixa como o “vilão” egocêntrico da história. São poucas as cenas em que Cathy e Jamie estão juntos, nos fazendo entender o porquê de sua separação. Do desconforto quando se encontram no momento atual e da estranheza ao vê-los juntos no passado.

Baseado no musical da Broadway, Os últimos 5 anos acaba sendo superficial por tentar poetizar o fim de um relacionamento com um longa dialogado em músicas apenas por duas pessoas.  O que seria bárbaro se tivesse sido muito mais trabalhado nos conflitos e alegrias de Cathy e Jamie. E principalmente na inclusão de mais personagens, para não deixar o filme cansativo e enjoativo apenas com duas pessoas cantando seus pontos de vista. Cinco anos é muito pouco para criar uma história de amor marcante o bastante para se tornar 100% cantado. Cinco anos é muito tempo para ser contado em pouco espaço de duração. Cinco anos se passaram e eles continuam jovens. Jovens que continuam brilhando e tentando conquistar o seu lugar ao sol. Jovens que se deixam levar pelo glamour do sucesso.  Jovens que não sabem lidar nem com o sucesso e nem com a luta do próximo. Jovens, que assim como eu, depois de cantar dramaticamente com o coração partido, vão seguir em frente e esperar por um novo musical favorito.

Direção: Richard LaGravenese.
Roteiro: Jason Robert Brown, Richard LaGravenese.
Elenco: Anna Kendrick, Jeremy Jordan (II), Natalie Knepp.
Gênero: Drama, Comédia, Musical.
Nacionalidade: Estados Unidos

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