Hoje eu quero voltar sozinho

tumblr_inline_n4xa8q9T5k1qf2gibLeonardo, um adolescente cego, tenta lidar com a mãe super protetora ao mesmo tempo em que busca sua independência. Quando Gabriel chega na cidade, novos sentimentos começam a surgir em Leonardo, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade. Fonte: Adoro Cinema

Há um tempão atrás eu lembro que cliquei num curta metragem no youtube. Achei mega inovador, porque nunca tinha visto nada além de videoclipes na página e não é que a minha primeira vez foi apaixonante? O curta Hoje eu não quero voltar sozinho era sensível e tocante com aquele gostinho de quero mais. E foi isso que o diretor Daniel Ribeiro fez ao lançar Hoje eu quero voltar sozinho com o mesmo elenco e o mesmo clima que a primeira produção. Fui assistir ao longa com a maior fome de devorar o filme, porque sinto falta desse tipo de filmes adolescentes, principalmente em produções nacionais.

O filme inicia nos últimos dias de férias de Leo (Guilherme Lobo) e Giovana (Tess Amorim). Os dois, entediados, reclamam de que não fizeram nada nas férias. Coisa típica que eu, no auge dos meus 23 anos, também reclamo no último dia de férias de qualquer coisa (trabalho, aula). As aulas iniciam e um aluno novo chega para abalar a rotina dos bff. Gabriel (Fabio Audi) entra e já conquista os corações das menininhas. Até eu me derreti quando ele entra na sala de aula, mas enfim, ele logo se enturma com Gi e Leo. Até então, tudo normal. Mas desde inicio, Gi tem aquela paixão a primeira vista pelo colega bonitinho, só que o guri é legal com todo mundo e tem um interesse em especial ao Leo.

Leo que até então, não sabe e ainda não se descobriu sexualmente e nunca beijou ninguém. Leo é deficiente visual, mas não tem todo aquele mimimi em cima do guri. Ele já faz 99% das coisas sozinho, entretanto todos em sua volta se acostumaram a ajuda-lo e ele também se acomodou na vida. O foco não é o adolescente cego, é que mesmo ele sendo cego, ele é um guri normal como qualquer outro. Quer beijar, quer fugir, quer ser independente, ele quer o mundo para si. E Gabriel chegou para abrir os horizontes do guri. E é aí que o filme finalmente começa a ter graça. Não é bem essa palavra, mas é quando as coisas começam a acontecer. E o principal de tudo, é quando tu começa a sentir aquele friozinho na barriga. É a chegada do novo e desconhecido que faz a vida dos três mudarem. Gi, tadinha, é deixada de lado, depois que Gabriel e Leo começam a fazer trabalho da aula juntos, Leo começa a ter sentimentos mais aguçados pela primeira vez, e Gabriel quer apenas viver intensamente a vida.

A direção de Daniel Ribeiro segue a mesma linha do curta. Um não se interliga no outro, chamo de apenas de aperitivo o Hoje eu não quero voltar sozinho e o último é o prato principal que soube dar conta de um banquete faminto. Não fui a única fã do projeto. O vídeo no youtube se tornou um viral que puxou fãs de tudo que é canto.

O filme é extremamente meigo e limpinho. Digo isso, porque é aquele esquema de classe média alta, com almoço em família todos os dias e a casa 100% arrumada, tudo bonitinho para o enredo. Além que os pais do Leo tão sempre em casa. E o principal de tudo é que a história mexe contigo de um jeito que tu fica refletindo horas depois da projeção. Parece que você também voltou ao seu primeiro amor e tá revivendo tudo aquilo com Leo. Além de toda inocência que cerca a todos, o principal de tudo é que a história é inteligente e sabe mostrar cada parte de um jeito único e “não-fútil”. As cenas de bullying não são fortes, mas tem uma que quase partiu o meu coração, mas todas as ações são respondidas ao modo “beijinho no ombro”, o que eu acho um ótimo exemplo para os que sofrem, e também aos que praticam.

A atuação de todos está ótima. Gi,tem toda aquela delicadeza,mas também não é nenhuma santinha. Tess Amorim conquista a empatia do público, sem exagerar nos seus momentos de recalque. Leo, acho que foi o que mais trabalhou para o papel. Cês sabem que ele não é cego de verdade né? Então ele tem uma apresentação única. Por não enxergar, ele é o mais inocente de todos e toda descoberta que ele faz, é totalmente sem julgamentos e arrependimentos. Queria eu ser assim. O último, e não menos importante, Gabriel chegou para tirar todos do tédio e apresentar o novo. Ele é outro que parece um bebê, mas carrega bastante coisa para dividir. Fabio Audi dá toda a delicadeza que o personagem precisa para ser o príncipe que todos nós esperamos aparecer.

Hoje eu quero voltar sozinho não é o filme que vai mudar a sua vida, mas com certeza vai te fazer sentir borboletas no estômago. Novamente.

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