Ela (Her)

tumblr_inline_n0foj7iv4d1qf2gibTheodore é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para seu computador. Para a sua surpresa, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, dando início a uma relação amorosa entre ambos. Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia. Fonte: Adoro Cinema

Se antes eu achava que Blue Jasmine merecia o Oscar de Melhor Roteiro, já deixo a categoria empatada por motivos de Ela. O longa é dirigido e escrito por Spike Jonze (Quero ser John Malkovich) e acho que nunca houve história tão envolvente e original desde sei lá. Quando penso nesse filme, quase todos os outros ficam ofuscados.

Se hoje, tudo acontece com um toque dos nossos dedos, no futuro não muito distante, no qual vive Theodore (Joaquin Phoenix), tudo acontece através do comando da voz. O cara é um escritor que escreve cartas “a mão” pelo computador e recita lindos recados para casais, pais, filhos e etc. O drama aqui é que Theodore está passando pelo processo de divórcio e só o que resta na sua vida é a solidão e os frequentes flashbacks de seus momentos felizes de casado em sua mente. Tudo para deixar o coitado cada vez mais melancólico. Sua rotina muda quando surge o Sistema Operacional (OS), que é um programa que simplesmente substitui um ser humano só pela conversação. Além dele ser multiuso. E eis que surge a voz de Scarlett Johanson como a Samanta. Falando e pensando como um ser humano de verdade. Passando de secretária de Theodore até virando sua namorada ♥

E quando o protagonista passa por esses momentos, tu fica abismado de como tudo que ocorre na tela, parece tão natural e simples. E tu fica se perguntando, porque não inventaram isso na vida real? Será que “seria” a solução dos nosso problemas? Nós, os introvertidos? O filme te traz várias questões. O principal deles é se é possível se apaixonar por um sistema operacional? Seria algo normal? A humanidade é tão precária que precisamos buscar conforto na tecnologia? Será que o OS realmente me ama ou apenas foi programada para tal? Estas são questões que surgem após digerimos a trama, enquanto isso, nós nos envolvemos na rotina do casal e seus sentimentos. Para quem estava passando por um divórcio e tentando ficar de pé, Theodore recupera toda aquela energia que há muito estava escondida dentro de si e Samanta consegue pôr tudo pra fora. Despertando, com certeza, o melhor de Theodore.

Joaquin Phoenix sempre foi um ator sensacional. Mesmo com sua pose de bad boy, ele se transforma em Ela. Aqui ele interpreta um Theodore totalmente abalado por seus relacionamentos, mas que conquista nossa empatia. Torcemos muito por ele e mandamos beijinho no ombro para sua ex-mulher, Catherine (Rooney Mara). Que infelizmente apenas aparece pra nos deixar pra baixo e julgar as atitudes do ex-marido. Do tipo, rebaixar o fato de que a nova namorada do cara é um OS. Tipo, e daí sua bitch.

Scarlett Johanson apenas “aparece” como a voz sedutora de Samanta, mas o equivalente para roubar a cena com o seu parceiro. A contrário do que alguns possam esperar, a sua voz não é nada robótica. Ela age como se fosse uma pessoa normal e cheia de sentimentos. É bonito a forma como ela questiona coisas para Theodore a ponto de querer entender os humanos. E também pelo poder da voz, a atriz consegue passar o seu “sentimento”e deixar transparecer o que acontece no seu sistema.

Amy Adams surge na trama como a também usuária do Sistema Operacional. É como se ela fosse a versão feminina de Theodore. Ela também passa por uma separação e encontra conforto em seu “namorado virtual.” E não tem como não admirar na capacidade da atriz em ser uma faz tudo. Mesmo não sendo o personagem da sua vida, ela é competente em sua personagem de nome Amy e preenche o papel com toda a sua simpatia.

Vou confessar que esperava um final bem clichê e graças a Deus, isso não acontece. O diretor Spike Jonze cria uma das histórias mais originais que não víamos a tempos. São poucos que conseguem criar uma história de amor tão inesperada e por falta de melhor definição, bonita. O discurso final de Theodore, em sua última carta para sua ex-esposa, é a mais bela forma de despedida a alguém que foi tão importante na sua vida. Seja ela real ou não.

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